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segunda-feira, 1 de setembro de 2008





Quando estou só me estabilizo, pois organizo o ardor de meus pensamentos, em contrapartida é quando sinto a demência com suas amarras estarem mais próximas de mim.
E como uma criança permaneço a observar o corredor, aquele funil extenso e úmido, frio e escuro com paredes mofadas nas laterais.Tenho que cruzá-lo e ser veloz, pois em algum quarto daqueles é que ela se esconde, correr o risco é fatal, não existe prazer sem risco.Nenhum obstáculo é visível neste corredor e sei que no meio dele poderei entrar em contato com os meus delírios mais assustadores, neste momento tenho duas opções: Me alcoolizar ou escrever.
Percebo que ao invés de tinta é com meu sangue que escrevo.
Sem ele não reconheço meu texto.
O texto quando contido, sem canal para se fazer circular, grita, brada, me rasga por dentro, depois de posto pra fora, como neste papel, já liberto de mim, vai embora. Então, eu me acalmo.
Escrever é berrar sem fazer barulho, quando o faço tenho muito a ouvir, enquanto eu repouso o meu outro esbraveja.Eu não falo, pois é impossível os dois de mim falarem ao mesmo tempo.
Por mais que pareça antagônico é como na impenetreabilidade; Duas pessoas que estão numa só pessoa não podem expressar-se num só dado momento.

sábado, 30 de agosto de 2008

O Salto.


Estou no décimo primeiro andar.
O que se passa em minha mente ? É descomunal?
Dar um passo para frente é fatal e necessário.
Desconstruir-me.
Quis deixar meu corpo cair.
Sentir o vento no meu rosto e com o impacto desfalecer.
Transformar-me em areia, voltando a ser partículas.
Mas não posso...por mil razões não posso...Qual a fronteira entre o mundo real e irreal, devo manter-me máquina no mundo material?
Se não posso deixar de ser, deixem-me ao menos fingir que não sou e adormecer.

Em contrapartida vem o aprendizado de que:

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o disperdício da vida esta no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, que esquivando-se do sofrimento perdemos a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional." Fernando Pessoa.

"Amanhã fico triste, Amanhã. Hoje não. Hoje fico alegre. E todos os dias, por mais amargos que sejam, Eu digo: Amanhã fico triste, Hoje não. "
Autor anônimo. Poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio.

domingo, 10 de agosto de 2008

To presa no meu vazio
No vazio do meu corpo

Engarrafada no mar
Agarrada em um abismo

Ilhada
Escutando as vozes dos meus outros eus

Todos a gritar
Pedindo que eu volte
Pedindo que eu fique
Para que através do meu amontoado carnal
Estabeleçam conexão com o mundo

Sou inquilino do meu invólucro
Refém de mim mesma

Durante a madrugada
Minha fiel companheira
Sozinha
É que quase toco minhas outras faces
Quase toco
Porque na hora em que vamos nos tocar
O dia amanhece

sábado, 26 de julho de 2008




Não tinha forças para levantar-se desta cama.
Olha pra ela e não se vê.
Vai ao espelho e não se enxerga.
Sente seu coração bater, seu pulso pulsar e deseja morrer.
Escova os dentes com má vontade, toma banho quase que intacta.
Pensa no seu dia, e chora, chora por que seu desespero é nato.
Olha ao redor e se debate, não sente desejo de prosseguir, senta-se à mesa do café da manhã e pega o garfo, ele em sua mão retine, reluz, com ele em seu poder sente um desejo grandioso de rasgar-se , cravar o mesmo no punho para que veja o seu rubro sangue tilintar, manchando aquela mesa bem posta.
Cortar-se... é o que ela quer...cortar e sentir a dor externa vim e ofuscar sua dor interna, latente, incômoda, que insiste em acompanhá-la.
Alimenta-se almejando que naquela refeição tivesse veneno.
Vai até seu quarto e se bate no rosto, se morde, quer atirar-se contra a escada na hora da sua descida...se lembra de sensações remotas, de lembranças naquele mesmo ambiente.
Onde quer que ela se encontre a angústia a persegue.
Queria estar num estado de inconsciência constante porque para ela a loucura na mais fina palavra é uma forma de abdução.
A rotina a machuca.
A sobrevida a corrói.
Segue escondida em sua própria sombra como uma anônima.
Quem a vê não percebe, sequer imagina que ali mora a verdadeira essência, que os comprimentos, os sorrisos fazem parte da enorme máscara que ela utiliza para tampar o próprio vazio.
Ela é o paparazzi de si, observa seus comportamentos, pronta para apertar seus flashes em busca das falhas que deixaram seus fiéis comportamentos passar, para ela ninguém tem que reconhecer o monstro de si mesmo, é um segredo dela, só dela de mais ninguém.